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Pastora Érica Leite é natural de Governador Valadares, MG, nascida no ano de 1981. É casada com o Pastor Sérgio Augusto, mãe de Anna Karolina e Sarah Kristina. É naturalizada americana e viveu nos Estados Unidos por quinze anos. Graduada em pedagogia, pós graduada em MBA de Coaching e Mentoring em gestão de pessoas e em Programação Neurolinguística. Possui especialização com liderança feminina e evangelismo. Estudou Teologia no Boston Theological School nos EUA e é interprete religiosa, autora de dois livros: A mulher Cristã em um mundo moderno e De dentro para fora. Em 2012, juntamente com seu esposo, regressou ao Brasil e hoje, pastoreiam a Comunidade Novo Tempo na Cidade de Sete Lagoas, MG.

Testemunho

Todo chamado de Deus na vida de alguém é acompanhado de uma história que o justifica! E comigo não foi diferente!
Quando eu tinha 5 anos de idade, meu irmão e eu passamos a ser criados por nossos avós maternos, diante da difícil decisão dos nossos pais de se mudarem para os EUA em busca de uma vida melhor para todos nós.
Meus avós eram cristãos, em particular a minha avó, sempre preocupada em nos criar no Evangelho, nos dando uma educação segundo os princípios da Palavra de Deus, o que futuramente seria a minha base para tudo o que estava por vir!
Crescer longe dos meus pais não foi uma experiência agradável. Durante este período, sofri abusos psicológicos e sexuais: foi traumatizante para uma menina de 5 anos!

Em meio aos cuidados e carinho da minha avó, que era um anjo de Deus na minha vida, conheci um lado escuro da vida que é vivenciado por milhares de crianças em nossa sociedade. Foram 6 anos até que, finalmente, minha mãe retornou ao Brasil! Ah! Como eu sonhara com esse momento! O dia de ter minha família de volta! Papai, mamãe, meu irmão e eu: juntos novamente! Mas não foi assim que aconteceu… O casamento dos meus pais tinha acabado! Éramos tão jovens para entender tudo! Minha mãe voltava acompanhada de outro homem, que seria seu novo companheiro! Confesso que a separação dos meus pais não foi um assunto fácil de ser digerido: não era o que eu estava esperando! Mas uma coisa eu não posso negar, o “namorido” de minha mãe tornou-se um homem maravilhoso para todos nós!

Minha mãe desviara do Evangelho há vários anos e passar a viver com ela foi, para mim, o ingresso em uma vida no mundo e sem Deus! Por mais que minha avó estivesse sempre presente, sua influência já não era mais a mesma!
Sim, eu finalmente estava livre dos abusos fisícos. Porém os estragos em minha mente, coração e autoimagem estavam feitos! E com a chegada da adolescência, as coisas pioraram ainda mais: me conscientizar de todos esses problemas me machucava demais… E percebi que não era a única a sofrer com meus traumas, minha mãe sofria de problemas emocionais fortissímos, que a levaram ao vício da bebida, cigarro e jogos. Ainda me lembro de suas crises emocionais nas quais seus pés e suas mãos até entortavam por causa de seu sistema nervoso abalado. Eu me via sentada ao seu lado dando carinho, procurando ser forte em seus momentos de fraqueza, engolindo minhas lágrimas para que ela não sofresse ainda mais! Diante desta situação tive que amadurecer antes do tempo!

Entretanto, não pude suportar por muito tempo e, aos poucos, meu mundo foi se desintegrando! As crises de choro agora eram minhas, parecia estar ficando louca, minha infância me perturbava, a falta de perdão me consumia, meu complexo de inferioridade chegou ao ponto de eu não querer mais aparecer em público, e minha mãe ainda estava doente… Assim, aos 14 anos, fui diagnosticada com depressão profunda! Foram muitas idas e vindas a psicólogos, psiquiatras e remédios, mas nada me ajudou! O modelo de família com que sempre sonhei era apenas uma ficção, será que algum dia eu teria uma? Será que eu conseguiria realmente confiar em um homem? O amor existia mesmo? E a paz? Foi quando, sozinha, em meu quarto e aos 15 anos de idade, tive minha primeira experiência com Deus! Eu estava desesperada, a ponto de fazer uma grande besteira. Gritei: “Deus! Cadê o Senhor? Cadê o Deus que minha avó me apresentou?Você realmente existe?” E Ele me respondeu! Eu literalmente ouvi a Sua voz dentro do meu quarto dizendo… “Eu estou aqui, Eu sempre estive aqui! E Eu te escolhi: você falará e ensinará sobre meu amor, Eu te darei uma família e você lembrará deste dia, porque seu primeiro filho será uma menina!” Foi único, especial.

Pedi ajuda a Deus e Ele a enviou! Conheci uma menina na escola que me convidou a voltar aos caminhos do Senhor. Sem demora e com muita sede de Deus, parei de tomar os remédios para depressão e voltei para a Igreja, mas foi aí que minha vida virou de pernas para o ar! Minha mãe resistiu a minha decisão por Jesus e meu padrasto odiava crentes! Eles não aceitavam que uma jovem como eu largasse todos os prazeres da juventude para virar crente! Para que vocês entendam melhor, eu tinha uma vida regalada! Meu padrasto era um homem bem sucedido: tínhamos uma excelente casa, estudávamos nas melhores escolas, eu tinha as melhores roupas, participava das melhores festas e, aos 15 anos de idade já tinha ido para Cancún e para a Disneyworld! Mas eu queria Deus!!! Não frequentava mais festas, larguei certas amizades, mas só conseguia ir à Igreja porque a minha avó havia levado nossa babá para Jesus!


Meu processo de conversão não foi fácil. A coisa mais difícil com que tive que lidar foi liberar perdão para pessoas que haviam destruído minha infância! Por mim mesma, não conseguiria: o ódio dominava meus sentimentos e, se dependesse de mim, a justiça seria feita com minhas próprias mãos! Mas Deus me mostrou que, ao contrário do que eu pensava, o perdão é uma atitude e não um sentimento, e que se eu fosse esperar para sentir eu nunca iria agir! Perdoar teria que ser uma atitude, e eu a tomei! Decidi perdoar em nome de Jesus! Foi uma experiência muito difícil… Mas pude vivenciar a cura do perdão de Deus em minha vida. Mas, e aonde está meu pai nesta história? Ah, até que enfim ele entrou em cena! Ele nos convidou, meu irmão e eu, para passarmos uma temporada com ele nos EUA, a fim de fazermos um intercâmbio. Ah, foi um sonho!!! Era o que eu mais queria! Minhas orações diárias eram que meu padrasto e minha mãe se convertessem ao Senhor e eu não fazia ideia de tudo que iria mudar na vida deles também… Mas, voltando ao assunto… Eu iria reencontrar meu pai! Ah, meu pai! Eu sonhara tanto com aquele dia! Depois de 10 anos sem vê-lo, finalmente o grande dia havia chegado! Chegamos em Boston, nos EUA, em Junho de 1996. Era uma cidade mágica tal qual eu vira nos filmes. Me encantei com aquele lugar! E logo na primeira semana após minha chegada procurei uma Igreja, pois queria um lugar para congregar, já que passaria 6 meses por lá. Entretanto, me deparei com outra dificuldade: meu pai era católico ao extremo!!! Eu era obrigada a ir às missas com ele, mas ele não entrava dentro de uma igreja evangélica de jeito nenhum! Foi difícil, e só depois de fazer amizades na escola é que eu comecei a ir aos cultos e comungar a minha fé! Eu não tinha a ideia do que estava por vir pela frente! Como os planos de Deus são incríveis! Meu objetivo era de voltar ao Brasil em 6 meses, mas estes 6 meses se tornaram 15 anos! Devido a um processo de legalização iniciado pelo meu pai, não podíamos sair do país até que fosse finalizado. Então fui obrigada a deixar toda uma vida de regalias no Brasil e iniciar uma nova fase nos EUA. Tive que crescer! Aos 18 anos já morava sozinha com meu irmão! Muitas coisas aconteceram durante esta experiência, tantas que daria até para escrever um livro! Eu não tinha a noção de que a América seria a minha escola, o meu deserto! Passei grandes necessidades na terra onde mana leite e mel! Aprendi que o trabalhar de Deus vai muito além dos sistemas e conveniências humanos e que, quando Ele tem um propósito para nossas vidas, para nos transformar nas pessoas que Ele mesmo determinou, Ele foge aos nossos padrões! Passei muita dificuldade na terra do tio Sam! A princesinha que tinha babá tornou-se passadeira e faxineira! Pela manhã e à tarde eu passava roupa em uma lavanderia industrial e às noites eu limpava um banco! Foi um tempo muito difícil mas de muito aprendizado! Quando me legalizei no país, o trabalho melhorou bastante e, depois de 10 anos de trabalho por lá, cheguei ao cargo de subgerente de uma agência bancária! Para encurtar a história: minha avó foi para os braços do Pai após uma enfermidade, minha mãe se converteu e hoje é pastora e serva do Senhor, além de ser uma mulher forte e guerreira e meu padrasto – que não gostava de crentes – é também pastor, além de um segundo pai para mim! Meu pai é hoje um diácono fiel e temente ao Senhor Jesus!E Deus me presenteou com uma família… minha própria família! Me casei bem jovem, aos 21 anos, com um homem que é um instrumento de Deus em minha vida! Juntos, sofremos perseguições e dificuldades que nos fizeram crescer na vida e no ministério e hoje temos o previlégio de sermos ambos pastores. Temos uma família linda: com 2 filhas, do jeitinho que Deus prometera. Vivemos diariamente os planos de Deus para nossas vidas. Depois de 15 anos nos EUA, cidadania americana e um bom emprego, Deus nos pediu para abandonar tudo! Foi a decisão mais difícil das nossas vidas! Nunca havíamos pensado em deixar os EUA e muito menos nos preparado financeiramente e emocionalmente para isso! Mas mesmo depois de sermos chamados de loucos, em janeiro de 2012 e somente com os nossos pertences pessoais, regressei ao Brasil com minhas filhas. Somente após 9 meses é que chegou meu esposo! E aqui estamos, servindo e amando ao Senhor. Quando olho para trás, percebo que todo aquele que é chamado por Deus tem uma história para contar e que a fornalha é um lugar impossível de não se passar! É por lá que são forjadas as mais belas joias que se pode encontrar, ouro puro de Ofir, depurado e provado pelo fogo! Mas uma coisa eu garanto a você: vai valer a pena!